...Há dias em que as "paredes", a estrutura metálica do nosso carro é o amigo que nos protege dos olhares publicos, onde choramos até nos doer os olhos.
Em casa não o podemos fazer, porque a nossa mãe vive três andares acima, passa a vida entre a casa dela e a nossa , e poder-nos ouvir. E afinal, não podemos mostrar o que nos vai na alma, porque ela está doente há mto tempo, já lhe basta o que e também q dor que nos assola é tão profunda, é tão nossa, que só nós a poderemos lidar com ela.
Dentro do emprego também não podemos dar azas á nossa tristeza, temos que manter a compostura...
Portanto saimos daqui, pegamos no carro para voltar a casa, e estacionamos por aí, num local recatado onde possamos desabafar tendo o nosso fiel veiculo como companhia. Ele apenas assiste, sem de deixar afectar por nada.
Sabemos que não chora connosco, mas sabemos também que não é hipócrita que não nos coloca a mão por cima, com cinismo, para ficar só bem visto.
...Há dias em que que sinto (pela enésima vez) o peso da "VIDA" nas minhas costas, há dias em que me sinto tão pequena, há dias em que me exigem tanto, e eu fraquezo, as minhas pernas fraquejam, abanam, vergam debaixo de tanto "peso"...
E eu sinto (eu que passo a dizer a mim mesma, que sou mto forte, que tenho que ser toda a vida muito forte, por mim, e por aqueles de quem cuido e que não tem mais ninguém a não ser eu) que estou a desquilibrar-me, que não "esquio" alegremente pela montanha abaixo contornando todos os obstáculos, mas sim, que começo a cair, que começo a enterrar-me na neve.
Mas eu não posso, eu não posso fraquejar, eu não posso dar-me a esse luxo, a vida não se compadece com quem fraqueja. Não tenho tempo para isso, e quando fraquejo sei que vai ser pior para mim, porque depois, bem depois vem os sintomas fisicos, se choro um dia inteiro vou acordar com uma dor de cabeça enorme, com um mau aspecto terrivel, com os olhos inchados..e depois? Depois o trabalho espera-me, as chatices esperam-me, e tenho que me reerguer sozinha, porque não existe ninguém para me aparar as lágrimas...
Portanto, não posso ceder, tenho que ser forte, muito forte, embora seja apenas mais um ser humano cada vez mais cheio de fragilidades.
....Há dias, em que gostava de ser totalmente insensível, porque levamos pontapés valentes quando mais precisamos, porque acreditamos que determinada é amiga, e nas piores alturas percebemos que não é, que apenas existimos nós, que nós temos que ter uma força que vai para além de qualquer força humana. Há dias que gostava de ser "seca" fria, dias em que gostava de não gostar, porque assim não era tão duramente magoada, e pior do que isso, não passava pela frustação, a esperança roubada.
Como é possivel que aos 37 anos ainda não ganhei "calo" contra as agressões externas?
Porque permito eu isto, porque não me torno mais cinica, mais azeda, porque não coloco de vez uma capa de ferro entre eu e o mundo que lá lá fora?
Porque continuo a acreditar que afinal o ser humano até tem algo de bom dentro dele?
Porque sou humana (provavelmente) e quando e se perder essa humanidade, perco tudo, passarei a ser uma "coisa" apenas.
Há dias assim, e ontem e hoje tem sido assim...
Amanha?? Amanha tudo vai estar igual, mas pelo menos o Sol irá brilhar talvez de uma forma mais brilhante do que hoje e isso talvez me ajude a relativizar tudo isto.
(
desculpem o "expor de alma", o mix mau de emoções mas teve que ser, este é o único sitio onde actualmente posso ser mesmo eu, sem consequencias...
Com a minha mãe correu tudo bem, obrigado a todos que manifestaram o seu interesse, mas este tipo de situações como as da saude minha ou de quem me está mais próximo, colocam-me sempre á prova, e normalmente fazem despertar em mim, sentimentos e estados de espirito menos bons, sendo também aí que vejo a verdadeira natureza de certas pessoas que me rodeiam e que se dizem meus amigos)