Costumo comer todos os dias no refeitório do Instituto onde trabalho onde apesar de sermos imensos (até porque agora se nos juntou um novo Instituto nas nossas instalações), as caras costumam ser as mesmas.
E há um casal que por mais vezes que os veja me emociona. Já tem uma certa idade, talvez uns 60 anos.
Ela infelizmente tem qualquer probelma que nunca descobri qual é mas que desconfio que sejam as sequelas de um AVC. Treme muito, come de uma forma estranha, está sempre, coitada a olhar para o infinito.
Ele, bem, "vela" por ela como alguém que está a tomar conta de uma criança. Puxa a cadeira para ela se sentar, puxa a cadeira para ela se levantar, ela levanta-se segue até ao corredor onde o espera para ele lhe dar o braço, ás vezes quando ela traz mais um casaco no Inverno ele ajuda-a vestir e hoje vi ele a partir-lhe os bifes com faca a e garfo. Ali nunca vi um queixume nem uma ou outra palavra de saturação.
É triste mas ao mesmo tempo muito bonito por outro lado.
E mais uma vez dou comigo a pensar: tudo inclusive a doença se ultrapassa nesta vida se tivermos alguém que nos ame desta maneira e tudo, tudo por mais pequeno que seja se torna um fardo imenso se carregar quando não se tem alguém por perto assim.
Felicidade não é ter um bom emprego ou muito dinheiro, felicidade é ter alguém seja amigo, marido, colega, vizinho que uma pessoa saiba que está aqui agora e que vai continuar aqui para sempre, independentemente das zangas dos probelmas ou de tudo que possa vir a acontecer.
Afinal no fundo, lá muito no fundo (ou talvez não) o que interessa na vida são mesmo os sentimentos.

